As maiores culpas de mãe e como lidar com elas

Culpa de mãe é como TPM, toda mulher tem de vez em quando.

A culpa é democrática, dizem os especialistas. Ela aparece não importa se você tem 20 ou 40 anos, é presidente de uma empresa ou dona de casa, se vive em uma cidade pequena ou em uma grande metrópole.

“Nós descobrimos que mães de todos os perfis sentem culpa”, dizem Devra Renner e Aviva Pflock, autoras do livro “Mommy guilt”.

Mas a culpa não é de todo má. Ela pode ser uma ferramenta útil, desde que não seja em excesso. “A culpa pode trazer reflexão e equilíbrio”, diz Pflock. “O truque é que você precisa estar no controle da culpa, ao invés de deixá-la controlar você.”

Para ajudá-la a cuidar desse peso que toda mãe carrega, veja a seguir um resumo das culpas mais comuns e o que você pode tentar fazer com elas.

Culpa 1: Não ter conseguido amamentar exclusivamente
Você lê em todo lugar que a amamentação exclusiva é o melhor para o bebê, e se sente um fracasso porque, por um motivo ou por outro, não conseguiu fazer o aleitamento funcionar 100% e teve de apelar à fórmula.

“Sofro muito, pois em todos os lugares pessoas estranhas que não sabem pelo que eu passei me olham torto ao me ver dando mamadeira para minha bebê”, conta uma leitora do BabyCenter.

“Onde quer que eu olhe, mesmo nas embalagens das fórmulas, o aleitamento materno é apontado como melhor.”

Caso você ainda tenha algum leite, tenha a certeza de que esgotou as possibilidades. O 438 melhor lugar para você encontrar orientação, e gratuita, é no banco de leite mais próximo. Consulte a página da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano.

Agora, se não há mais esperança e você está de luto pelo fim da amamentação, permita-se sentir essa tristeza. Mas, em seguida, aceite que você fez tudo o que podia e toque a bola para a frente, sem se deixar abalar pelas críticas.

Sim, o leite materno é o melhor para o bebê, mas bebês alimentados com fórmula (o famoso LA, de “leite artificial”) também se desenvolvem normalmente.

Culpa 2: Usar filminhos e aparelhos eletrônicos como babá
É hora de fazer o jantar, e você coloca seu filho para assistir a um filminho para conseguir fazer a janta sair. Ele está lá, feliz da vida, mas você sente uma pontada de culpa quando o vê de olhar parado, boca aberta, perdido nas imagens.

Você talvez tenha ouvido ou lido que a recomendação “oficial” de especialistas é que crianças menores de 2 anos não assistam nada de televisão ou vídeos.

“Precisamos nos policiar, porque os vídeos realmente nos ajudam nos afazeres da casa”, lembra uma leitora. É sim uma tentação, já que os aparelhos eletrônicos são incrivelmente eficazes para fazer uma criança irritada ficar quietinha.

Desde que você se preocupe em estabelecer limites, não há problema em apelar para os filminhos ou joguinhos em casos de emergência. Especialistas recomendam dois blocos de 15 minutos por dia, para crianças de menos de 2 anos.

Veja mais detalhes nas orientações sobre o uso da mídia por crianças pequenas.

Culpa 3: Não fazer comida fresquinha todo dia para a criança
No final de um dia longo e estressante, você não resiste e passa no drive-thru. A culpa de não oferecer o melhor alimento para o seu filho também vem na hora do apelo à pizza ou à papinha pronta de supermercado.

É muito difícil ser aquela supermãe que mantém a casa arrumada, deixa todos felizes, traz dinheiro para casa e ainda proporciona uma alimentação fresca e natural para a família.

Para amenizar a culpa, procure nos momentos de emergência fazer as escolhas que sejam mais saudáveis, embora continuem sendo práticas.

Ao invés de escolher um hambúrguer de carne processada de uma rede de fast-food, você pode optar por um feito com carne moída fresca na padaria do bairro. Ou, em vez de comprar comida congelada do supermercado, você pode comprar comida pronta do restaurante por quilo da esquina.

Se você tem em casa uma criança capazes de farejar um hambúrguer de fast-food a um quilômetro de distância, tenha certeza de que não está sozinha: 53% das mães BabyCenter Brasil dizem que recorrem a fast-food “de vez em quando, para quebrar um galho”.

Caso sua família esteja recorrendo ao fast-food mais frequentemente do que fazendo refeições preparadas em casa, talvez seja preciso pensar em fazer mudanças na rotina. Você pode servir alimentos saudáveis sem gastar horas na cozinha — experimente comprar e congelar alimentos preparados em rotisseries, como frango assado ou carne ensopada.

Culpa 4: Deixar seu filho com outra pessoa enquanto trabalha
Ter de sair para trabalhar deixando o filho chorando em casa ou na escolinha é de arrasar o coração de qualquer mãe.

No retorno ao trabalho, depois da licença-maternidade, essa sensação pode ficar insuportável. “Quando voltei ao trabalho que eu amava, pensei que me sentiria feliz. Eu não esperava sentir tanta culpa”, diz uma leitora.

Da primeira vez em que ele fica doentinho e você não pode ficar com ele, então, dá vontade de jogar tudo para o alto.

E, como mães são seres muito complexos, é possível até ter culpa de não sentir culpa. Muitas mães confessam gostar de passar um tempinho longe da criança, levando uma vida de adulto, mas depois se sentem culpadas por sentir esse prazer.

Fique longe de guerras online entre as mães que trabalham e as que ficam em casa. Se encontrar críticas violentas à mãe que trabalha, afaste-se e simplesmente não as leia.

Pense que seu trabalho tem um propósito importante, seja para o bem-estar da sua família, para sua realização profissional ou até para o estabelecimento da independência do seu filho.

Culpa 5: Perder a calma com o filho
Seu filho mais velho começa a gritar minutos depois que seu bebê finalmente caiu no sono. “Não acorde o bebê!” você diz, num tom muito mais furioso do que pretendia. Sua criança olha para você com olhos arregalados e assustados.

Ninguém se sente bem em gritar com os filhos. Na verdade, a pesquisa de Pflock e Renner, do livro “Mommy guilt”, descobriu que perder a calma é a causa número um de culpa entre as mães.

Quando isso acontece, deixe a poeira baixar e tente examinar cuidadosamente seu próprio comportamento. Esse episódio foi uma exceção? Você geralmente mantém a calma com o seu filho? Se a resposta for sim, então não se culpe e considere isso uma oportunidade de aprendizagem para ambos.

Até a pessoa mais tranquila pode perder a paciência de vez em quando, principalmente quando há uma situação de estresse — fome, cansaço, TPM, prazo de trabalho, alguém doente na família, dinheiro curto.

Tranquilize seu filho de que está tudo bem e explique o que aconteceu: “Às vezes as pessoas falam alto quando estão tristes ou bravas, mas isso pode magoar as outras pessoas.” Vale reconhecer o erro, pedir desculpas e mostrar qual teria sido a melhor solução. “Eu devia ter dito: fique quietinho, o bebê está dormindo.”

Mas se a gritaria já está se tornando um hábito, avalie tomar medidas para controlar sua raiva e reduzir seu nível de estresse. Peça conselhos para outras amigas mães, leia livros e artigos sobre esse assunto, ou troque ideias em nossa comunidade.

“Eu conversei com um terapeuta, e ele me mostrou que tudo isso era puro estresse”, diz uma mãe. “Procurei encontrar maneiras de reduzir esse estresse — abri mão de alguns trabalhos, fiz mais exercícios físicos e relaxei um pouco em relação à arrumação da casa. Foi muito difícil, porque eu sou muito controladora, mas valeu a pena.”

Culpa 6: Não poder bancar tudo do bom e do melhor
Suas amigas inscreveram os filhos na aula de natação. Você adoraria fazer o mesmo, mas não dá para bancar a mensalidade.

Os coleguinhas da escola fazem festas de aniversário lindas e vão passar as férias em lugares incríveis, e você não consegue proporcionar o mesmo. E aquele brinquedo caríssimo que seu filho queria tanto? Nem pensar.

Está se sentindo péssima mãe? É normal sentir-se mal quando você não pode bancar o que considera o melhor, para a pessoa mais importante do mundo.

A questão é que muitas das coisas que nós consideramos “necessárias” não são. O que as crianças realmente precisam é de amor — não uma nova atividade cara ou o brinquedo recém- lançado.

Um passeio no parque da sua cidade, com direito a piquenique, pode ser tão especial quanto um dia em alguma cidade da Europa, nas lembranças do seu filho.

Além disso, os especialistas são categóricos em afirmar que, se seu filho tiver todas as vontades constantemente atendidas, ele nunca vai aprender o valor do trabalho, do dinheiro e das conquistas.

Você pode ser o exemplo e ensinar as crianças a aproveitar a vida e a resolver problemas de uma forma que não envolva a compra de coisas ou o uso do dinheiro.

Em vez de se concentrar no que você não pode dar ao seu filho, foque no que ele pode ter. Por exemplo, em vez do tal curso de natação, experimente levá-lo todo fim de semana ao parque para jogar bola.

Se ele gosta de “cozinhar”, mas você não pode comprar aquela cozinha de brinquedo maravilhosa que ele viu na loja, ajude-o a fazer uma de caixa de papelão. Você provavelmente vai sentir sua culpa ir embora quando o vir feliz brincando com seu novo fogão.

Fonte: BabyCenter Brasil

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