Deixei de ser hipócrita

Carnaval acabou. Quarta feira de cinzas. Meu Filho foi para a casa do pai na sexta feira e retornou ontem.

Usei esses dias para fazer coisas exclusivamente minhas e, apesar de não ter concluído tudo que planejei, tudo foi bastante produtivo.

A minha vontade deste carnaval era levar João num bloco infantil. Ele vai fazer 4 anos e nunca pulou carnaval de verdade. Mas levá-lo ao bloco significava interromper o tempo dele com o pai, abrir mão do tempo para mim e retomar os afazeres rapidamente.

Na sexta à noite, fui no Bill com Allan e lá estava eu, cheia de culpa por estar indecisa sobre o que fazer no carnaval. Aí Allan solta um olhar maroto e diz:

– Vanessa, você merece descansar!

Sim, eu mereço! Mandei a culpa à merda e tratei de viver meu carnaval suavemente.

Uma das poucas vantagens de ser Mãe Solteira (quando o pai deseja eventualmente estar com Filho – não é assim para todas) é ter um tempo só para si. Meu Filho começou a ir para a casa do pai aos 7 meses e, no começo, era horrível para mim. Eu me trancava no quarto do meu Filho, chorava copiosamente e ligava de hora em hora para saber se estava tudo bem. Hoje já é bem mais tranquilo, apesar da preocupação ser a mesma. Eu aprendi a exercitar a confiança no pai dele pela minha sanidade: eu tenho que parar de achar que dou conta de tudo e dar a chance de responsabilizar os outros (isso é um eufemismo, ok? eu só aprendi a controlar os meus ímpetos, mas já é um grande avanço).

Quando relaxei um pouco mais, me dei o luxo de bater meu recorde e dormir 14 horas ininterruptas num fim de semana, feito que mães solteiras e casadas almejam. Aliás, vejo muitas mães casadas super sobrecarregadas, cuidando de filhos, marido, carreira, casa… e quase nunca cuidando de si mesmas. Existem muitas mães casadas tão sós quanto mães solteiras…

Eu sou o pilar da vida do meu Filho! Todas as tomadas de iniciativa e decisão são minhas! Eu faço tudo por ele, desde o banho cotidiano até pesquisar métodos alternativos para os tratamentos que ele já faz. EU FAÇO TUDO! … e isso cansa pra car*lho!

É por isso tudo que eu deixei de ser hipócrita e assumi o meu cansaço. Querer ter um tempo só meu não é indicativo de que amo menos o meu Filho ou de que sou uma Mãe relapsa, mas sim de que tenho um corpo e, às vezes, ele está exausto e precisa de um momento para recarregar as energias. Parece que a maternidade é um agente desumanizante que nos transforma automaticamente em super mulheres, tão logo o cordão umbilical é cortado. Essa desumanização torna as pessoas mais condescendentes com erros paternos e implacáveis aos erros maternos: somos obrigadas à perfeição 24/7, a sermos a máquina eficiente o tempo todo, enquanto os pais são sempre desculpados “Ora bolas, são homens, não levam jeito pra isso, né?”.

Eu estudei, saí com amigos, fiz maratona de filmes de oscar, vi os desfiles de escola de samba, trabalhei nos meus freelas… enquanto meu Filho aproveitava o carnaval ao lado da outra família dele. Ele voltou feliz e cansado e encontrou a Mãe aqui cheia de saudades, com baterias recarregadas para continuar dando o Amor que ele sempre recebeu.

Reconhecer-se humana, perdoar-se é um grande passo para ser plenamente Feliz. Eu sou uma Mãe Feliz e minha felicidade cresce diariamente, conforme meu aprendizado aumenta.

Outra grande sorte é ter bons amigos. Obrigada, Allan, por aquele pitaco e por ser meu Amigo há 15 anos. É bom estar cercada de pessoas que compreendam nossas agruras!

Beijos da Mãe!

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