Relato anônimo – Mãe Solo

São tantas coisas que gostaria de compartilhar. Não sei ao certo por onde começar. Que tal com…

Oi, tudo bem, oq vai fazer amanhã?

Foi assim que iniciou tudo. O conhecia já tinha um bom tempo, na época que tinha total liberdade e podia sair e voltar só ao amanhecer. Não tinha nenhum interesse nele, era apenas um colega, que estava ali, te chamando para sair, curtir o inicio de um verão + carnaval. É claro que aceitei, não tinha nenhum tipo de sentimento envolvido, era só msm para não passar um domingo em casa.

Então o dia passou. Muita alegria, tudo embalado ao som do Bloco da Preta (confesso que não conhecia nenhuma das musicas), mas estava lá, curtindo minha solteirice, não fiquei com ninguém e nem ele. E tbm se ficasse, tenho certeza que o rumo da história seria completamente diferente rsrs. Engraçado você pensar que se tivesse simplesmente beijado outra pessoa, não teria sofrido tanto quanto já sofreu.

Mas saindo dos pensamentos soltos e voltando a historia…

Ele me deixou em casa, e combinamos de comer uma pizza, aceitei lógico, rsrs era um amigo me convidando para comer uma pizza, não tem oq pensar de mal nisso. A pizza estava ótima, posso até dizer do que era, metade camarão e metade portuguesa kkk gordices. Ele me deixou em casa novamente, mas fiquei ali, conversando dentro do carro, e foi quando aconteceu, o primeiro beijo, o primeiro cheiro no pescoço, só bastou isso para começar.

Dias passaram e nos encontrávamos todos os dias, ele me escutava, me dava conselhos, era meu amigo, meu confidente, não tinha do que reclamar. A não ser o fato de não saber exatamente oq éramos, amigos coloridos ou se iria evoluir para algo. Eu gostava muito mesmo dele, queria algo serio, e ele ali, com a cara de que, “eu só quero você”, e a tonta aqui acreditando.

Passaram alguns dias e descobri um ovário policístico, o médico que me acompanhava pediu uns exames, e pediu tbm para parar de tomar o anticoncepcional afinal queria saber como meu organismo reagia. E afirmou “Você tem muitas dificuldades para engravidar, apenas depois de um bom tratamento”. Fiquei confusa, triste e feliz, mas estava tudo bem pq “ele” estava lá do meu lado.

No meio de maio comecei a notar umas diferenças, seios com estrias? Como assim? Todos doloridos? Enjôos? O pessoal do trabalho até brincou, “ta grávida” eu morri de rir, impossível aquilo acontecer…

“Eu” e ‘‘ele” brigamos pq eu queria ter definição do relacionamento, mas ele falou que assim estava tudo bem, então terminamos oq não existia…

Quando soube que estava passando mal, foi cuidar de mim, então voltou à historinha novamente. Iria sair de férias no inicio do próximo mês, então estava com tudo planejado: comprar um pacote legal, viajar com o Boy e ter as férias do sonho, pra ver tbm se acertava aquilo. Mas como a vida é uma caixinha de surpresas… Nada daquilo aconteceu.

Passei no medico para rever os exames, ele afirmou que realmente seria difícil de engravidar, reclamei de dor nos seios e ele mandou fazer uma mamografia, poderia ser algum nódulo. Fiquei tranqüila e fui pra casa, no caminho encontrei uma amiga e comentei sobre o caso de saúde. Ela estranhou e pediu para fazer um teste de gravidez.

Como assim? Teste? Pra que? Não estou grávida! (era o que passava na minha cabeça). Para desencargo de consciência fui lá e comprei, mas não dei muita atenção. Cheguei em casa e fui fazer, para acabar com aquela paranóia toda… Então vc faz o teste e simplesmente desaprende a ler…

Olha, eu sabia que estava positivo, e procurava na bula para ter certeza, e não tinha certeza de nada… Momento desesperador, feliz, reprimido, ÚNICO.

Liguei para “ele” e chamei para conversar. Não tive idéias lindas como essas que assistimos de revelação da gravidez foram simples: ESTOU GRÁVIDA. Ele gostou da noticia, e queria sim ficar comigo e eu tbm queria ficar com ele, mas sabia que ele escondia algo. Só não sabia oq.

Os dias passaram, contei para meus pais que ficaram em alegria x estado de choque, os pais deles tbm. No dia da segunda ultra, para escutar os batimentos cardíacos do bebê foi o dia que mudou tudo…

Acordei cedo, fizemos o exame e paramos em uma padaria para tomar café, o telefone dele tocou, e ele estava longe… Eu como futura esposa, atendi. E aquela voz irritante perguntou “Quem está atendendo o telefone do meu namorado?”. Falei sem muita reação “A mãe do filho dele” e ela logo completou “A sim, é você, ele já falou que não vai ficar com vc? Que está com vc por pressão dos pais, mas assim que o neném nascer ele vai continuar a vida de sempre, querida?”. Ele veio e entreguei o telefone para ele.

Então aí decidi, não foi fácil, sem dormir a noite toda, chorando desesperada, mas decidi que a partir daquele momento não queria mais ficar com ele.

Julgada pelos meus pais? CLARO QUE SIM, e pelos pais dele OBVIO, mas não entra na minha cabeça alguém que mente tanto… Eu perguntei milhares de vezes se ele estava com outra pessoa, e a resposta sempre foi NÃO.

Se mentia para mim antes, como seria no futuro?

Agüentar ele sair de casa para as noitadas, e ter que aceitar pq estava de favor na casa dele? Ele estaria me sustentando?

CLARO QUE NÃO.

Foi à decisão mais difícil que tomei na vida, mas tomei.
Ser mãe solo.

The best thing I never had
Beyoncé

I wanted you bad
I’m so through with it
Cuz honestly you turned out to be the (best thing I never had)
You turned out to be the (best thing I never had)
And I’m gon’ always be the (best thing you never had)
I bet it sucks to be you right now

Comments: 1

  1. Bruno Alarcon says:

    As escolhas são sempre exigidas em qualquer faixa etaria e em qualquer situação. Com tanto que o rapaz nao deixe as responsabilidades paternas, menos mal. Agora como mulher, sempre se escolha, ninguém é insubistituivel. PS: Amo essa música da Beyonce.

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