Guarda compartilhada compulsória e afins…

Quando a lei de guarda compartilhada compulsória estava para ser sancionada, comecei a participar de grupos de discussão sobre o tema para ver a quantas andava a informação das pessoas.

Participava pouco, observava muito. Percebi que os principais temas discutidos eram a alienação parental e a pensão alimentícia.

Numa escala de importância, a maior parte dos participantes desses fóruns estava mais interessada em não pagar pensão, sempre acusando a ex-companheira de vagabunda-caçadora-de-pensão. Eles colocavam TODAS as mulheres no mesmo balaio.

Concluí que:

  1. Os fóruns de mães solteiras são muito maiores do que os fóruns de guarda compartilhada;
  2. Grande parte das maternagens solo só existe porque algum “homem de bem” resolveu pular fora;
  3. Nos grupos de GC, não se falava em: abandono afetivo, abandono material, violência contra a mulher e/ou a criança, educação libertadora; apenas discursavam sobre a desobrigação da pensão e o quanto suas ex companheiras são alienadoras;
  4. Exigiam a mesma igualdade de direitos que a mãe tem sobre os filhos SEM exigir o mesmo cumprimento de deveres;
  5. Se o relacionamento acabou, o compromisso com os filhos permanece, não com a mãe. Grande parte dos que exigem a guarda compartilhada só o fazem para ficar próximos às suas ex-mulheres, seja porque ainda gostam delas ou pelo desejo machista de controle, por pensar que ter um filho com aquela mulher lhe dá direitos sobre ela;
  6. Esses homens se sentem no direito de reduzir mulheres à classe de aproveitadoras, mas não se dão conta que 5,5 milhões de crianças sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento (fonte: revista Exame) contra apenas 5,5% de guardas compartilhadas VOLUNTÁRIAS concedidas até 2010, segundo o IBGE (fonte: jornal O Globo). Essa pequena quantidade de GCs voluntárias está apenas entre ex-casais separados judicialmente. Não encontrei números absolutos ou porcentagens sobre filhos de casais que nunca se casaram;
  7. Os mesmos homens que “não saem com mulher rodada”, “não saem com mães solteiras” e que acham que mulheres com filhos são aproveitadoras relegam as responsabilidades da criação dos filhos exclusivamente às mulheres.

Eu juro que tentei ver vantagens nessa lei, mas confesso que só achei problemas. Eu pretendo escrever mais profundamente sobre o texto da lei num outro post, dissecando-o artigo por artigo e expondo todos os meus desacordos.

Até que me provem o contrário, essa lei só veio para piorar relações litigiosas, subordinar mulheres ao belprazer de seus ex-companheiros e colocar mais fogo na alienação parental contra mães que, na esmagadora maioria dos casos, são duas em uma.

Os defensores dessa lei iludem ao dizer que a mesma beneficia a criança. Eu duvido muito que uma criança deseje ter DUAS casas. Acho que o que ela quer mesmo é ter UMA família!

Mãe (Mãe Solteira)
Tom Zé

Cada passo, cada mágoa
Cada lágrima somada
Cada ponto do tricô
Seu silêncio de aranha
Vomitando paciência
Pra tecer o seu destino
Cada beijo irresponsável
Cada marca do ciúme
Cada noite de perdão
O futuro na esquina
E a clareza repentina
De estar na solidão

Os vizinhos e parentes
A sociedade atenta
A moral com suas lentes
Com desesperada calma
Sua dor calada e muda
Cada ânsia foi juntando
Preparando a armadilha
Teias, linhas e agulhas
Tudo contra a solidão
Pra poder trazer um filho
Cuja mãe são seus pavores
E o pai sua coragem

Dorme dorme
Meu pecado
Minha culpa
Minha salvação

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