Das progressivas restrições à Publicidade

Faz pouco tempo, ouvi de um “sociólogo” que a minha profissão é execrável e supérflua, que o mundo não precisa de publicitários… Imediatamente pensei naquelas brincadeiras do Willy Wonka Irônico: Você é sociólogo? Conte-me o que você produz de efetivamente concreto à sociedade… Diferenças à parte, é um FATO que a profissão de publicitário está sendo paulatinamente contaminada e perseguida pela onda do politicamente correto, e que pessoas tidas como importantes (como esse “sociólogo”) são grandes algozes a essa atividade.

Faz algum tempo que eu acompanho a perseguição à publicidade. Primeiro foi o CONAR, com sua mania de tirar do ar propagandas tidas como impróprias. Vejam alguns exemplos:


Esse comercial foi lançado no carnaval de 2010. Em comparação aos demais comerciais de cerveja, Paris Hilton era a mulher mais vestida e menos insinuante do Brasil, principalmente num carnaval. Entretanto, o CONAR foi implacável ao afirmar que o filme continha “excesso de sensualidade” e o proibiu de ser veiculado na TV. Eu acharia válida essa punição caso a tropa da moral e dos bons costumes TAMBÉM censurasse Valesca Popozuda e Mr. Catra na “canção” “Mama”, mas… deixa pra lá. Ouvir “Quando a p*r*c* tem dono, é aí que vem a vontade de f*d*r” deve ser menos indecente que a Paris Hilton sensualizando na janela… Vai entender…

Sucesso total in e offline, a campanha dos Pôneis Malditos não apenas rendeu visibilidade à Nissan mas garantiu um crescimento estrondoso de vendas: 81% de vendas do Frontier, 127% do Sentra, 120% do Tilda, 15% do Livina e aumento de participação no mercado de 1,8% em 2011. Publicidade boa é publicidade que vende, então, a agência Lew’Lara/TBWA mandou bem pra caramba! Maaaaaaas, como alegria de japonês dura pouco e o Brasil é um país laico, o CONAR resolveu atender às 30 reclamações contra o comercial, suspenderam-no temporariamente da TV e puseram-se a investigar o caso. A alegação dos puritanos era de que as imagens infantis dos pôneis não deveriam estar associadas à palavra ‘malditos’. Por sorte, o processo foi arquivado e os pôneis liberados para amaldiçoarem qualquer um. Engraçado… lembrei que, durante toda a minha infância, sempre ouvi a Bruxa do 71 perguntar “É você, Satanás?” e o SBT nunca recebeu uma sanção moral por isso! Ainda bem, PARA A NOSSA ALEGRIA!!!!


Esses comerciais da Hope causaram o rebu às barangotes de plantão! As feiosas, através da Secretaria de Políticas para as Mulheres, encaminharam um ofício ao CONAR alegando que a campanha “Hope ensina” era sexista e desrespeitosa às mulheres. Gente, cadê o bom humor da mulherada??? Esse femiNazismo todo ainda vai transformar mulheres em recalcadas-encalhadas-permanentes! Ainda não entederam que as mulheres DEVEM ser minimante interessantes e sensuais? Igualdade de gêneros não existe! A luta das mulheres deve se basear na igualdade de CONDIÇÕES de trabalho, de acesso à educação e cultura e de respeito de direitos, mas JAMAIS bancar a macha de ser igual a um homem! A mulher tem a feminilidade, a delicadeza e sensualidade que o homem não tem (ou não sabe demonstrar) e esses artifícios DEVEM ser mantidos! Negar essa natureza é negar a própria mulher… O CONAR também arquivou esse caso, mas o levante anti-mulher contra essas propagandas me deixou perplexa, prontofalei! Leiam esse artigo delicioso de Luiz Felipe Pondé sobre “mulheres objeto”, com o qual estou totalmente de acordo!

Eleonora Menicucci de Oliveira, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Gatcheeeeeeeenha, né?

Agora, o nosso governo está trabalhando para proibir a publicidade infantil além das já proibidas, como as de cigarro e bebidas.

Eu já acho a proibição das propagandas de cigarro e bebidas um absurdo, mas a infantil me assusta ainda mais! O governo diz que a publicidade infantil gera crianças consumistas e obesas, o que ele se esquece é que o consumo e a alimentação da criança passa pela autoridade dos PAIS, ou seja, se EU PERMITIR que meu filho consuma ou nao, a pessoa que fará isso sou EU. Nenhum pai ou mãe deve ter a interferência do estado sobre o que seus filhos podem ou não fazer… A aprovação dessa lei representa uma total interferência do estado no âmbito familiar (que é de foro íntimo) e pode abrir outras brechas para que o governo se entranhe ainda mais na vida dos indivíduos!

Então, Pais, aceitem que vocês são meros coadjuvantes na vida de seus filhos. Deixem que o super Estado cuide deles porque ele sim sabe o que é melhor para as crianças. Você que pariu, criou, deu amor, alimentou, educou tem mais é que calar a boca e deixar que o super Estado cuide de tudo!

Sério, eu tenho MUITO medo dessas coisas… Não apenas pela minha profissão, que vai se tornar cada vez mais hipócrita, mas em outras áreas da comunicação também. Liberdade de expressão e escolha são premissas básicas para manter os seres humanos HUMANOS, e não meros bonecos na mão de uma entidade maior.

“1984”, de George Orwell, deveria ser leitura obrigatória em todas as escolas deste país!

Comments: 3

  1. Renato says:

    Concordo com a maioria, mas a fixação de um "alguém DEVE ser de tal forma" é sempre prejudicial. Nada disso é natural, mas sim cultural, construído com o tempo. Existem sociedades com outros valores de sensualidade e do que é respeito ao corpo do outro e do seu (seja 'secar' respeitoso ou seja 'não dar atenção' respeitoso). Falar que "as mulheres devem ser minimamente sensuais" é tão censurante quanto um conselho julgando a propriedade de um filme comercial. Você mesmo diz que a mulher tem características que o homem não tem… ops, ou teria mas não sabe demonstrar? "Artifícios" como você falou… e bem, você citou Pondé, então nem tem muito o que falar nesse aspecto…

  2. Concordo, amiga.
    Eu só acho que em relação a publicidade de cigarros e bebidas deve sim ser restringida, ponto positivo, em uma mesa de bar explico meus motivos. Quanto ao lance de criar crianças consumistas e obesas, isso é balela, tb concordo com vc. Acredito que valores de consumo e alimentar deveriam ser ensinados desde a infância…e com isso passo até a repensar a questão da restrição das propagandas de álcool e cigarro, que deve ser ensinado desde criança os efeitos dessas drogas, como as de se automedicar, etc. É, o Estado tem se metido cada vez mais na vida particular das pessoas, quando na verdade deveria ditar mais normas gerais do que tantas especificidades.
    Amiga, a gente precisa sair juntas!! Isso rende muito papo!!rs

  3. Tava inspirada hein! Adorei o texto. Também já vivenciei isso várias vezes. Não é só a publicidade q está cada vez mais hipócrita, o mundo.
    Bjo nessinha!

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